“A menina acreditara que fosse mais que paixão. Verdadeira. Ter de esquecê-la lhe doía às idéias, saber que tivera perdido (talvez para sempre) o pedaço de aquele ser que lhe pertencia, que lhe completava. Era como se lhe martelassem a cabeça, depois a apedrejassem, esfaqueassem, por fim a afogassem e a largassem em mar agitado e profundo. Ainda viva o suficiente para morrer depois.
Porém, sempre que se punha a mirar o céu (dia ou noite), sentia um vento fresco que a obrigava a cerrar os olhos. Sentia a tal criatura como se estivesse dentro dela, imaginava-a nua, sentia seu cheiro, seu gosto de beijo longo, sua pele macia, sentia uma excitação mutua. E quando se punha a abrir novamente as pálpebras, eram os olhos dela que via no infinito. Fazendo-a cada dia mais viva em seu coração.
P.S Talvez a menina de nuca adorável more antes mesmo de ela nascer, em sua alma.”
(Bárbara Berkenbrock)

